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Mestres de Capoeira de todo o país participam de encontro em Foz do Iguaçu

Evento realizado entre 27 de fevereiro e 1º de março promoveu rodas, debates e apresentações artísticas em diversos espaços da cidade

https://gdia.com.br/noticia/2639/mestres-de-capoeira-de-todo-o-pais-participam-de-encontro-em-foz-do-iguacu

A terceira edição do Festival Vadiação Cataratas transformou Foz do Iguaçu em ponto de encontro da capoeira brasileira entre os dias 27 e 28 de fevereiro e 1º de março. Mais de 25 mestres de diferentes regiões do país participaram de rodas, aulas, apresentações culturais e debates, consolidando o evento como espaço de intercâmbio de saberes e fortalecimento da tradição.

A abertura ocorreu no Marco das Três Fronteiras, com uma roda de boas-vindas que reuniu mestres e praticantes diante do cenário simbólico da tríplice fronteira. Ao longo do fim de semana, as atividades se estenderam à Confraria Esportiva e Cultural de Capoeira, ao Mercado Público Barrageiro e ao Charrua.

No sábado, a programação incluiu apresentações do Afoxé Ogum Funmilayo e do Coral Tapepyau, da Aldeia Arapy, além de aulas e rodas de conversa voltadas à história e à prática da capoeira. A proposta foi aproximar gerações e discutir a dimensão cultural da manifestação reconhecida como patrimônio imaterial brasileiro.

Entre os convidados estava o baiano Manoel Joaquim Sena de Santana, conhecido como Grã Mestre Santana. Aos 80 anos, ele relembrou sua trajetória iniciada ainda na infância. “Aprendi com minha avó, uma índia potiguara, a luta marana, e depois tive meu mestre Bernardino. Aprendi que capoeira é a liberdade em movimento”. Para ele, o encontro em Foz simboliza união. “Quem nos deu essa alegria, possibilitou esse encontro foi mestre Ary”.

Também participou o carioca Geraldo Costa Filho, o Mestre Gegê, de 76 anos. Ao comentar a transformação histórica da capoeira, afirmou: “ A capoeira depois de considerada patrimônio imaterial, teve sua garantia de ser passada adiante, foi sendo respeitada fora do país e deixou um passado de discriminação para trás. Hoje o perfil de quem ensina capoeira é outro”.

Os mestres Nilson Clementino Hanszman, o Mestre Cabeça, e José Paulo Pereira, o Mestre Corvinho, destacaram a importância da continuidade da tradição. “A disciplina orienta a conduta, e isso não muda, não importa a geração”.

A participação de alunos e famílias também marcou o evento. O contra mestre Marcos Antônio Rodrigues de Souza, conhecido como Espoleta, veio de Engenheiro Beltrão acompanhado da esposa e da filha de oito meses. “Essa união faz com que a capoeira cresça ainda mais e incentive a participação de crianças”. Ele define a prática como transformadora. “Me trouxe minha família, e libertação”.

O momento mais simbólico ocorreu no encerramento, quando Mestre Ary recebeu das mãos de 27 mestres a corda branca, graduação máxima da capoeira, reconhecimento por uma trajetória dedicada à arte. “É uma honra receber essa graduação. O caminho até aqui foi muito difícil, mas não paro de caminhar”, disse emocionado.

O festival terminou na manhã de domingo com visita às Cataratas do Iguaçu, integrando cultura e paisagem natural.

A terceira edição é iniciativa da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, em parceria com a HOTMILK, ecossistema de inovação da PUCPR, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.

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